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As escrituras e a transformação espiritual
Luiz Augusto de Queiroz

Hoje seria importante a gente falar, a partir de exemplos das Escrituras, sobre formas de ultrapassar dores e angústias por meio de nosso estado de consciência, quando este de alguma forma se põe em estado de alerta. Somos seres que dormem, não duvidemos disso. Dormir significa estar preso às visões apenas dos sentidos, às visões que nos são trazidas do mundo material, que nada mais é do que um mundo ilusório quando visto como a única realidade. Quando 99% da população vê assim, nós estamos dormindo.

O nosso caminho de ascensão em estado de consciência nos faz cada vez mais comandar a forma, libertarmos da forma e chegarmos à essência. Eu hoje queria falar mais especificamente sobre exemplos que estão nos tratados das Escrituras e que deixam pistas de como agir quando nós estamos premidos pela dor e pela angústia e pelos estados chamados negativos que nos aprisionam. Estamos quase sempre presos de uma forma ou de outra nesses estados, às vezes de uma forma mais sutil e outras de forma mais intensa.

Quando o espiritismo surgiu no Brasil, duas grandes figuras, Bittencourt Sampaio e Antonio Luiz Sayão, traduziram o livro de Tobias. Estranhamente, o espiritismo é que mostra o livro de Tobias como um exemplo da completa materialização de um ser de altíssima hierarquia, nesse caso o arcanjo Rafael, como uma pessoa humana. O livro de Tobias é muito importante, não só por esse fato, mas muito mais pela mensagem que ele traz. É como um manual de operações, eu o encaro assim, para aquelas pessoas que vivem mergulhadas em angústia, dor e sofrimento e que podem muitas vezes acreditar que o horizonte se fechou a sua frente, que a noite já não tem mais manhã e será perene.

Eu abri uma passagem do Novo Testamento e queria juntar tudo isso para que a gente pudesse ter um material de análise, consciência, vivência dentro do coração. Essa passagem é única! No Evangelho de Matheus, que era cobrador de impostos, e talvez por isso esteja aqui e talvez tenha sido ele que tenha vindo cobrar as dracmas que se pagavam naquela época... É uma passagem que mostra muito claramente o judaísmo que Jesus viveu como um judaísmo libertador, como alguém que vivenciava a Tora a cada letra, a cada espírito.

Chegavam a Cafarnaum e cobravam o imposto de dracmas e, eles chegaram para Pedro e perguntaram se o mestre não pagava imposto. E para surpresa Pedro disse: paga sim! Mas quando Jesus perguntou a Pedro: “O que lhe parece Shimon, você acha que num reino devem pagar impostos os filhos ou os estrangeiros?” e Pedro: “Com certeza os estrangeiros”. Jesus retruca: “Os filhos então estão isentos?” Ele repete a pergunta. E Simão diz: “Sim, mestre”. “Mas olhe, não convém fazer escândalo, vai ao lago, jogue o anzol, pegue um peixe, abra a boca do peixe, retire a moeda que ali está e pague o imposto”. Ele foi, abriu a boca e encontrou um estater e trouxe para o mestre. O estater eram dez mil dracmas e o imposto eram duas dracmas.

Essa passagem me chamou muito a atenção e é seguida por uma outra que a gente de vez em quando cita aqui. Jesus fala sobre o perdão dos pecados, e é pela passagem do perdão 70 vezes 7, e da oração em comum, quando dois se unem num só objetivo conseguirão tudo aquilo que queiram de meu Pai que está nos céus. E depois termina... na parábola do “Servo cruel” que devia 10 mil talentos e pediu perdão, enfim, suplicou-lhe e pediu um prazo. E o senhor cheio de compaixão não deu prazo, perdoou a dívida. E ele saiu dali e lhe acorreu outro servo a quem era credor e devia 100 denários e pediu a mesma coisa: que desse um prazo, mas ele ignorou isso! E outros que ouviram essa história contaram ao senhor e o senhor mandou que ele fosse para a prisão ao contrário do outro. Ele tinha recebido um perdão de dez mil talentos e não tinha sabido perdoar 100 denários.

Há duas passagens em que o arcanjo Rafael vai aparecer nos levando a Tobias. Mas eu recomendo que a gente vá olhando toda a Escritura e quando a gente lê a B. Gita e a Tora, a parashá Hashavua VaYera, que significa “E apareceu”, busquemos entender não pela literalidade e sim pelos sentidos que aí subjazem, que estão por debaixo da história. Não há definições finais! Este é o mergulho no Nada, esse Nada que é mais pleno do que qualquer todo, porque dele provém o todo e portanto não pode ser definido. A única coisa que comporta como definição é que ele não é nada, nada que nós possamos definir, só que o nada é mais do que o todo! É nisso que essas passagens hoje, tanto a Tora quanto a Haftará, que falam do profeta Eliseu, são preciosíssimas. Eu recomendaria muito que a gente buscasse lê-las aqui. Aqui talvez esteja o cerne da retidão. E retidão não é só de postura interna, de retidão no sentido de cumprir as obrigações, os deveres, ser reto, ser justo, não é só isso. Vista mais profundamente essa retidão é o lançar o seu ser em direção ao que é reto, ou seja, ao que está ali no eixo central de todas as espirais, quaisquer que sejam elas e esta visão de pureza de ser reto, é o que nos permite entrar na retificação com a Natureza Divina e vencer qualquer mal.

O trecho de hoje, sai de Gênesis, capítulo XVIII e estende-se até o capítulo XXII. “E apareceu o Eterno a Abraham entre os carvalhais de Mamré, quando ele estava sentado à entrada da tenda”, já começa o primeiro desafio dos nossos entendimentos superficiais, “apareceu sob a forma de três homens”. Uma das interpretações, das milhares que existem a respeito dessa passagem, a mais profunda é: Deus está em tudo e em nós! Ele é Uno e ao mesmo tempo se manifesta na criação inteira. Os seus anjos são aqueles que possuem esse eixo de retidão, que são capazes de manifestar esta criação com toda a plenitude. Só não nos esqueçamos que nós também somos anjos e deuses em potencial! É preciso realizar a potência! Ele apareceu sob a forma de três anjos e uma das interpretações é que eles eram Mirael, Gabriel e Rafael! Os três dos sete que assistem à frente do trono da glória, na linguagem codificada da Tora.

Eu recomendo que vocês leiam, porque nesse momento aqui começa o rompimento das nossas robotizações. Abraham que era um justo... justo é uma palavra de raiz sânscrita, que vem de iogus, que é yoga, que significa união, justiça, na sua acepção mais profunda. Justiça não significa julgar e condenar as pessoas, ou absolvê-las. Justiça é promover a união, a justaposição, a justificação do ser com a sua identidade primeira que é a própria divindade! Abraão era um justo, estava unido a Deus, já era velho de idade e recebe nesse momento a visita de três homens que eram um Nome, que era Há’Shem que não se pronuncia, que era o Eterno, que era Ele mesmo sob a forma de Gabriel, Mirael e Rafael.

Sara, que estava idosa, ouve a conversa e um dos homens dizer: “Daqui há um ano você terá um filho em seus braços”. Lembrem-se que Sara era estéril e que nesse momento já havia Ismael, já se considerava um fato perdido, que Abraão tivesse um descendente! Quando Abraão ouviu isso ficou feliz e Sara riu. Abraão e Sara eram avançados de idade. Sara riu-se no seu íntimo: “Depois de velha, eu e meu senhor terei ainda prazer?” Como a gente tira as coisas fora! Como a gente julga coisas! Esse é o hebraico. Disse o Eterno a Abraão: “Por que se riu Sara?” E ela: “Não, eu não ri!” “Você riu e daqui há um ano eu vou voltar aqui para encontrar o filho em seus braços”. Ele voltou em um ano e Isaac estava nascido nos braços de Abraão e de Sara. Só que este é o primeiro momento!

Eu acho que o mais importante é que se a gente sai daqui com a convicção de que nós somos donos da nossa própria presença e que somos efetivamente seres com potencial divino, está tudo certo.

Isto segue a uma passagem de Sodoma e Gomorra e depois continua com o sacrifício de Isaac. E nós sabemos que Sodoma e Gomorra saem e vão a Lot que era sobrinho de Abraão. Abraão faz uma negociação maravilhosa com Deus, que é um exemplo para todos nós, esse poder que nós temos de transformar destinos, desde que haja uma mínima condição para isso e esta mínima condição podem ter a certeza de que nós todos temos. Não há karma que seja maior do que essa condição! Não há dor que seja maior do que essa condição. Não há ataque espiritual que seja maior do que essa condição. Não há soma de atos passados, e que a gente acredita ser um obstáculo para nossa caminhada, que sejam maiores do que essa condição. Abraão negocia quando sabe que Sodoma vai ser queimada numa negociação contra cinqüenta justos. Lembrem-se o que são justos! Justo é aquele que tem pureza de coração. Ele pode até aparentar não ser, por isso que é recomendado não julgue ninguém. Não havia justos!

Há uma tradição judaica que mostra um diferencial em Abraão, que ele dá um novo aspecto à divindade em nós, que é a compaixão. Noé também era divino! Aliás, o grande dilúvio que destruiu quase a humanidade inteira, quando Noé fez a caixa e salvou uma boa parte das pessoas... quando Noé chegou no final e viu as águas baixarem e viu a destruição, ele olhou para a Divindade e perguntou: “Mas era preciso tudo isso? Será que não dava para fazer alguma coisa?” “Agora que você me pergunta isso?” Isso parece interessante, mas lembra uma coisa muito séria! Como nós somos detentores de poder, por sermos seres divinos, muito maior poder do que imaginamos. Isso significa que se Noé estivesse consciente de que podia agir e interceder, ele poderia ter pedido e ter acontecido alguma coisa. Abraão fez o movimento antes. E não havia justos a não ser Lot! Há um diferencial porque ele lembrou antes. Os dois eram justos, os dois eram seres divinos, mas a compaixão estava com Abraão. E o segredo que vai movimentando as forças de compaixão são aqueles que nós precisamos mexer para mudar a nossa vida.

Ora! Termina com o sacrifício de Isaac e ao contrário do que as pessoas pensam, não era um garoto que foi puxado pelo seu pai! Aliás, podemos ter essa leitura do sacrifício de Isaac se não considerarmos Jesus segundo a visão distorcida do catolicismo, de que ele seria o único filho de Deus e que Ele é Deus, e ninguém mais é! Isaac tinha perto de 32 anos quando foi carregado por seu pai, recomendado por Deus, e no último momento, aí é que está, a justificação pela fé, quando a gente movimenta a fé, não há mar encapelado, não há situação adversa, não há nada que não possa ser vencido se nós não mantivermos durante todo o tempo a certeza de que por exemplo, Abraão teve! Ele foi cumprindo aquilo, mas no fundo ele devia saber que no último momento a morte não triunfa. Para o justo a morte não triunfa, nunca!

A Haftará, que é outro texto, fala de alguém em que eu vejo uma semelhança... um sacrifício que se deu... se a gente olha o sacrifício como uma forma de romper barreiras e estruturar leis soberanas como essa lei do perdão, do perdão incondicional como porta de libertação, porta absolutamente concreta de libertação, como fez Gandhi. O amor de Gandhi era compaixão absoluta, era o perdão ativo, em nenhum momento ele teve ódio, raiva ou vingança contra os seus dominadores ingleses e soube tirá-los da Índia e transformá-los em seus admiradores. Esta foi a grande prova prática do século XX e infelizmente descartada. Olhem o Nelson Mandela que fez uma coisa parecida! Lá está o resultado da África do Sul, quem viu a África do Sul há 30 anos e vê hoje, sabe do que nós estamos falando. E a atitude de Nelson Mandela foi de alguém que fez o mesmo movimento que Abraão. E a Haftará nos fala de Eliseu e vejo uma semelhança muito grande entre a postura de Eliseu e de Jesus, por exemplo! Esse profeta que era discípulo de Elias, e que recebeu o manto, ele fez coisas incríveis. E saiamos daqui certos de que somos capazes de mover os nossos destinos, não importa quais. A seguinte passagem talvez não seja tão conhecida, é de Eliseu:

2º Livro dos Reis – 4.1: A mulher de um dos filhos dos profetas clamou a Eliseu dizendo: “Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para serem escravos”, antigamente dívida dava prisão e escravidão. Perguntou-lhe Eliseu: “Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E ela disse: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”. Essa palavra nada não é no sentido que a gente dá aqui de nada!

Disse-lhe ele: “Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas. Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos. Deita azeite em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia”. Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.

Ora! Na nossa conta de matéria física, de mundo físico, de mundo que não acredita nos conceitos da eletrodinâmica quântica, de que existe um mar infinito de elétrons! Nas nossas crenças limitadas é que a gente acha que tudo é limitado. As coisas só vêm das fontes limitadas e não da fonte ilimitada, nós acharemos uma coisa estranha: uma botija de azeite enche uma botija de azeite! E nada mais! Só que essa mulher pegou as botijas e começou a encher e aconteceu o seguinte: cheias as vazias porque derramavam umas sobre as outras, disseram um dos filhos: “Chegue aqui mais e traze-me mais uma” e ela disse: “Não há mais nenhuma vasilha na vizinhança”, e quando ela falou isso o azeite parou de jorrar. Porque jorrava incessantemente.

Tem alguma coisa parecida com Alguém que mandou pescar um peixe? A gente pode perguntar: mas isso é história de Bíblia! A gente pode interpretar de qualquer forma e acontece que eu achava muito recomendável que a gente experimentasse! Não tentar fazer o azeite virar... mas de repente, depois de algumas tentativas, nós todos seríamos capazes de fazê-lo! Mas fazer coisas menores, como, por exemplo, vencer uma dor, uma angústia ou uma doença que precisa ser curada ou estado interno que a gente precisa desfazer hoje, agora, aqui! Sem deixar pra amanhã! Acho que já dá pra tentar!

E Eliseu atravessava Sunão, e esta passagem continua de uma forma muito linda. Ele encontra uma viúva rica, uma sunamita, e ela dá abrigo a ele e ele diz: “O que posso fazer por você?” E ela diz: “Eu não sei” “O seu marido e você são velhos, mas o sonho de ter um filho existe dentro de vocês! Você vai ter um filho!” E ela fica muito braba com ele. Porque no primeiro momento... outra percepção, a sulamita não fez o movimento da fé primeiro, ela primeiro o acolheu na sua casa, fez um andar em cima para que ele pudesse fazer suas meditações e não pediu nada pra ele. Ela era rica, mas era pobre de alguma coisa! Mas como ela não estava com fé, ela primeiro - vejam como os diversos caminhos podem sair de várias saídas! - fez o movimento de doação! E ele pergunta o que ele pode fazer e ela disse: “não sei!”. E ele disse: “vocês querem ter um filho e vão ter”.

Um ano depois ela estava com o filho nos braços. E aqui tem uma passagem mais dramática ainda. Porque aqui mostra que às vezes a gente acha que chegou o que era pra chegar, vida feliz, rosas e mais rosas, e quando acontece o primeiro balanço no navio, a gente sai desesperado. Nesse caso, essa criança que nasceu pela voz do profeta, quando pequenina correu para o seu pai com dor de cabeça e morreu! Imagina o que a sulamita deve ter pensado! Ela diz: “Você chega para mim e diz que eu preciso receber uma coisa que eu não estava muito querendo e faz um filho! E agora ele sai da minha mão? Eu não estou aceitando isso!” Ela sai desesperada atrás dele e chega aos pés dele e ele pede pra ela pegar o bordão e colocar sobre a criança. E ela diz: “Eu não aceito! O bordão não! Eu quero você e você vai comigo!” Isso tudo é figurado. Eu contando a história e nós vamos entendendo as camadas da cebola por detrás disso.

Eliseu chega na casa e se debruça sobre o menino deitado, já morto há alguns dias: “Entrou, fechou a porta e sobre ele orou ao Eterno”, começa a chave disso! “Subiu a cama e deitou-se sobre o menino e pondo sua boca sobre a boca do menino, os seus olhos sobre os olhos do menino, suas mãos sobre as mãos dele e a carne do menino aqueceu-se. Eliseu levantou-se e andou no quarto de lá pra cá e tornou a subir. E se estendeu novamente sobre o menino e esse espirrou sete vezes e abriu os olhos. Eliseu chamou o seu servo e disse-lhe: “Chama a sunamita”; e apresentando-se ao profeta ele disse: “Toma o teu filho” e ela entrou prostrou-se em terra tomou seu filho e saiu. Essa passagem é muito intensa.

No livro de Tobias o arcanjo Rafael e o segredo é a oração vivenciada em todos os seus níveis. Há muitos níveis de oração, mas todos eles são absolutamente eficazes. Enquanto nós não formos à retidão, e a retidão significa o estado de permanente oração de consciência absoluta, que as palavras vão desaparecendo, inclusive, da nossa oração porque o nosso estado é muito parecido com “esse”. No nosso segundo estado (representações dos chakras), a nossa oração não precisa de palavras, não precisa de estruturas, de criar anjos com o nosso pensamento, com a nossa voz, para que os anjos, que já estão no trono da glória, façam a conexão da Divindade conosco pela fé! Aqui no terceiro estado, mais aberto, mais consciência, talvez mais silêncio... aqui o silêncio e a palavra são uma coisa só. Mas enquanto nós estamos no primeiro estado e nós não somos nem isso, com esses chakras luminosos, nós somos completamente apagados ainda, mergulhados pra dentro, com chakras transitando nessa separação egóica e a gente precisa da oração mesmo! Pelo menos para destampar o processo.

O livro de Tobias mostra isso. Tobit era um justo de coração e a sua justiça se refletia em seus atos. E o que acontecia com ele é o inverso de tudo aquilo que um justo deveria merecer! Quando ele ficou cego ele disse: eu sou justo e o que é que vem pra mim de volta? Como a sulamita. Ficou cego e velho e com um filho e sem saber o que fazer. Tobit fez uma oração firme, sentida e essa oração está reproduzida no texto. E ele no final diz: eu só tenho uma coisa a fazer! Pedir! Ora! Essa oração estava conjugada, e voltando à passagem de Levi: “Se dois ou mais se juntam num objetivo que seja comum, e esse objetivo comum... e muitas vezes ele não é dois sentarem e pedirem a mesma coisa não! Aliás, esse dois pode ser dentro da gente! Pode ser a gente romper essa dualidade e unir de novo. E quando isso aqui funciona, a oração é respondida e se consegue qualquer coisa. Pois então, havia uma oração em comum aqui, era Sara, era uma parenta distante, e que tinha a seguinte característica: ela já tinha casado sete vezes. E ela no desespero faz uma oração sentida! E o livro diz... esse livro é muito claro onde mostra a natureza dos anjos, Rafael um dos três que estava à frente de Abraham e que era Deus... assistir à frente do trono significa expressar a grandeza divina e portanto mostrar a união da criatura com o seu Criador como uma grande lei que move o universo. Rafael, a partir da prece que chega, é enviado para responder aos dois. E simplesmente ele se materializa como uma pessoa.

(Luiz Augusto faz um pequeno resumo da história). No primeiro momento há a figura do peixe, que quis engolir Tobias e o Rafael diz para ele não ter medo. E isso aqui é equivalente a história da dracma. O peixe é a abundância, mas a abundância do mundo está à nossa disposição e que é... esta essência muitas vezes nos ameaça e parece que vai nos matar num primeiro momento, a gente não dá crédito a ela, então ela aparece, e a gente sai correndo em vez de recebê-la como fez Shimon ao tirar o estater dentro do peixe e como fez Tobias que tirou o coração sem saber o porquê! E depois ele viu que serviu para curar a cegueira do seu pai e o fígado queimado serviu para afastar o demônio de Sara que veio a ser sua mulher. E tudo isso que ele fez foi o acerto com o arranjo Rafael. E ele se tornou tão querido! Ora! Tobias volta por muitos motivos, primeiro pela própria movimentação de forças feitas a partir de uma prece em comum. Uma prece feita em comum por dois seres que movimentam suas forças lá de dentro...

O ponto fundamental é: a gente esquece demais de agradecer as coisas pequenas; de olhar entre duas coisas que acontecem uma boa e uma ruim, a gente só olha a ruim! A boa fica “aqui”. E quando a gente olha, ela já está incluída no processo. Não há celebração pelas coisas boas! Nem agradecimento!

Tobias disse: a única forma de agradecer a esse homem é a gente dá a metade de tudo! E ele disse: “Não preciso” Fizeram muito bem de falar isso! E aí ele se revela, eu sou o arcanjo Rafael. Rafael explica tudo. Os dois prostrados em terra vêem o fenômeno de desmaterialização. Rafael se desfaz em luz. E é ele que eu estou pedindo para estar conosco aqui.

Eu não tenho dúvida de que hoje os pedidos que foram feitos a partir das angústias e dos anseios não angustiados, porque há também anseios sem angústias! Que ele possa responder. Poucos conhecem a grandiosidade de um arcanjo! Um dos três que apareceram a Abraham e que lhe deram um filho, que guiaram Elizeu o tempo inteiro, e que se propõem a guiar qualquer um dos seres que habitam esse planeta e queiram despertar o seu estado de consciência em direção a eles. Temos que começar perdoando, abrindo o coração, lavando lá de dentro a cisterna dos ressentimentos, da mágoa de tudo aquilo, abrindo!... sorriso no rosto. Absoluta força... e isso não significa ser bobão e bonzinho! Não tem nada a ver uma coisa com a outra! Estar num estado de permanente alegria e de força de consciência significa estar num estado permanente de alegria e força de consciência, não significa ser bonzinho nem dobrar a cabeça às coisas!

Feito isso, a gente pode pedir sem medo! Por que não?