| Vivemos aquilo que atraímos |
| Luiz Augusto de Queiroz 28.5.2007 Na verdade, o que nós temos em nossa mão é o momento, o agora. Essa constatação pode servir para que o futuro que ainda não chegou, chegue melhor e aquilo que já passou não nos martirize! Esse buscar o que fazer deve ser acompanhado de um estado de consciência da nossa parte, ou melhor, de um estado de alerta da nossa parte. Nós, na verdade, já estamos fazendo algo com o nosso agora! Mesmo que não tenhamos consciência disso e na verdade, na maior parte das vezes, e eu não teria medo de errar que 100% de nós que estamos aqui hoje não temos esse estado de consciência em plenitude. Alguns de nós podemos ter lampejos desse tipo de alerta. Nós não temos esse estado consciente e, portanto, o nosso agora acontece porque o nosso ser é muito maior do que o nosso consciente físico. A gente não precisa entrar em nenhuma escola de espiritualidade, basta que conheça Freud e, todos aqueles que vieram desbravando a psicologia, mesmo no enfoque materialista. A gente sabe que o nosso ser é muito mais amplo do que o consciente, que se chama de ego, erroneamente, porque há muitas faces do ego inconscientes. Então, a nossa consciência é uma fração mínima do ser. E pra nós ela não controla uma grande parte de energia que é inconscientemente emitida pelo nosso ser o tempo inteiro, inclusive nos agoras que nós estamos vivendo. E continuaremos a viver daqui pra frente nessa cadeia de tempo em que nós estamos presos. Hoje, achei que é hora de abordar um assunto que curiosamente tenha se tornado quase que uma coqueluche. Isso é bom, é interessante, e nós gostaríamos de abordá-lo aqui, procurando não oferecer uma ótica nova pra vocês, mas procurando enxergar junto de que forma isto pode ser efetivamente utilizado na nossa vida, mas com a consciência espiritual acima de tudo. Primeiro vou fazer uma pergunta: quem já viu o filme ou leu o livro “O segredo”? Eu queria aproveitar pra que hoje a gente abordasse esse movimento que está aparecendo, primeiro sem crítica, como aqui a gente procura fazer! Quem somos nós pra criticarmos qualquer coisa! Pelo contrário! Ninguém perde em ver ou ler o material do livro. Do que trata esse material? Tentando resumir, é bem produzido e traz uma expectativa de que há um segredo escondido, desde que a humanidade é humanidade e que poucos descobriram, mostrando os exemplos daqueles que souberam o que seria esse segredo e que o teriam utilizado. Mostrando desde Abraão, sábios, Isaac Newton, e que eles teriam conhecido e desvendado esse segredo, o segredo da felicidade. Na verdade, esse segredo é muito simples. Ele é traduzido muito bem no filme por uma coisa chamada lei da atração. E o que eles querem dizer com essa lei da atração é: que se trata de uma lei simples, invariável, universal, aplicável em todos os sentidos, em todos os momentos e em todas as horas! Nós vivemos aquilo que atraímos. Nós somos e existimos em nossa vida em função de atrações realizadas por forças emitidas por nós em direção ao universo. E o universo nos responde na medida exata em que essa atração, partida de nós, propõe. Então, tudo o que nós vivemos, seja a situação mais feliz, a situação mais tranqüila, mais alegre ou o seu inverso, o sofrimento, sensações de angústia, de dor, de sofrimento, situações mais do que sensações de sofrimento, tudo isso também é fruto dessa lei de atração. E aí o filme e o livro se desenrolam de uma forma bastante inteligente, a meu ver, mostrando pari passu, exemplos de como nós atraímos tudo aquilo que vivemos de forma quase sempre inconsciente, porque nós de sã consciência, nenhum de nós que está sentado aqui, nenhuma das 6,5 bilhões de pessoas que existem encarnadas no mundo físico gostaria de atrair nada de ruim pra si. O que esses trabalhos procuram mostrar é que mesmo que a gente não queira, sem saber e sem querer nós atraímos pela nossa postura inconsciente. E aí uma série de causas, uma série de razões, uma série de explicações é dada para o porquê. E algumas soluções são propostas pra que a gente se liberte desse processo. Eu não vou falar do filme especificamente. Eu vou iniciar a abordagem por aí e a gente vai procurar fazer a abordagem mais ao estilo da nossa Casa, num ponto que eu acho importante ressaltar e que eu acho que falta um pouco não só nessa, mas em todas as abordagens que se relacionam a essa. No filme e no livro são propostas atitudes e, a partir da atitude nossa, que a gente precisa trabalhar pra mudar. O processo é automático, é inconsciente e ele, por ser automático e inconsciente, está agindo independentemente da nossa vontade, está atraindo pra nós aquilo que nós não queremos! Ou pensamos que não queremos, porque queremos de uma forma sem saber. Esse processo pode ser descrito por leis. E essas leis podem ser chamadas de ação e reação. Mas não é só a ação consciente! São as ações também inconscientes, que passam na maior parte das vezes desapercebidas de nós, que geram essa confusão em que a gente vive. Só que no filme, foca-se basicamente, no fato de que você ao desvendar esse segredo e passar a aplicar, ao inverso do que a gente faz, o teu potencial, a tua atitude, em função de construir coisas, e atrair e usar essa lei, para atrair aquilo que você quer, 90% de todas as cenas, de todas as situações falam de alguém que era pobre e que de repente ficou com uma casa de 5 milhões de dólares, ganhando tanto! E por enfocar muito nisso, e sem crítica, a gente quer abordar isso aqui hoje, procurando falar do filme, entender que esse processo de atração, não é que eu seja contra, pelo contrário, em alguns momentos do filme, pra se fazer justiça, é citado que isto é algo que pertence ao espírito e que o nosso grande objetivo é buscar uma felicidade, uma realização espiritual. Só que, essa abordagem ao ser feita, ao nosso ver, é insuficiente e aí sim, ela reflete uma série de coisas que têm acontecido principalmente ao longo das três décadas, de uma forma muito intensa, e que preocupa a gente, porque a gente vai percebendo que a espiritualidade vai tomando uma forma, ou as ações espirituais, ou as ações não materiais, vão tomando uma forma, que funciona para que a gente atinja objetivos imediatos na nossa vida, e que decerto são aqueles que preocupam 99,9% das pessoas e no momento que a gente foca só nisso, eu vejo como uma preocupação razoável, esse processo tão interessante, tão profundo e tão real, começar a se perder, porque no momento em que ele vai tomando esse tipo de aparência e de uso, servindo só para que se possa utilizar a lei da atração para atrair um milhão de dólares, ou para atrair a cura de uma doença física, ou para atrair um processo qualquer de imediato em nossas vidas, a gente se esqueça do processo como um todo. E mesmo que isso funcione, num primeiro momento, e saibam que vai funcionar!, porque a lei do mesmo modo que nos colocou quase todos nessas situações que vivemos de vidas pontilhadas de dor, de sofrimento, de lutas, de trabalhos intensos, essa situação, no momento em que a gente utiliza essa lei, mesmo que seja parcialmente de outra forma, ela vai trazer resultados para nós. E aí é onde a gente se preocupa um pouquinho! Quem está na Casa conosco desde que começamos, lembra que em 2000 a gente fez um encontro na cidade de Mendes e que nós reunimos um grupo de freqüentadores da Casa e lá o tema principal foi “manifestação”. Então, há sete anos atrás nós fizemos na Casa de P. Pio um encontro de três dias, para entender que o universo é regido por um grupo de leis. E essas leis se regulam por processos absolutamente imutáveis que provocam a manifestação de nós mesmos e das coisas em nossas vidas. A gente aprendeu lá, num primeiro momento, que está sempre manifestando coisas, ou seja, o nosso inconsciente, por esta lei da atração que é automática, está sempre manifestando e criando coisas. Como a gente faz isso sem saber, nós procuramos em três dias abordar um assunto que mostrava como manifestar aquilo que você queria. Eu estou usando esse encontro como exemplo para mostrar que lá em 2000 esse processo já havia começado a surgir em três décadas, mas não foi só, num livro especificamente, chamado “Milagres do dia-a-dia”, esse livro embasou o nosso encontro. Mas já em 2000, esse assunto já era muito antigo e na verdade o filme está certo, o assunto é tão antigo quanto o homem, desde que nós estamos nesse mundo como raça humana, como raça que evolui, não importa a causa, não vamos entrar nessa discussão agora, o processo que se manifesta é o mesmo. Consciente ou inconscientemente nós estamos permanentemente manifestando a nossa vida. Lá eu me lembro, que falei que isso que estamos falando aqui foi abordado por todos os sábios que passaram na superfície do planeta. No séc XIX, e séc XX, isso foi revivido e revivido em varias situações, em vários momentos, por vários mensageiros. Todos eles reviveram a mesma coisa. Na verdade isto, esse tipo de corrente espiritual, para sermos justos, ela passou e passa muito fortemente nos Estados Unidos, muito mais do que na Europa, mais do que no Brasil. A gente pode começar com Mary Black Red, com a ciência cristã nos Estados Unidos, com Vivekananda, que levou os conhecimentos do vedanta para os Estados Unidos, e depois aquele que foi o que fez o maior dos trabalhos, que foi P. Yogananda. Se vocês lerem livros do Yogananda, vocês vão ver que ali está expressa essa mesma lei de atração, e a forma como nós devemos nos conscientizar dela e nos valer dela quanto para o nosso progresso espiritual. Yogananda tem uma brochura chamada a “A lei do sucesso”, em que ele aborda isto com muita precisão. Se formos ao séc XIX vamos achar outros tantos abordando isso, depois de uma grande corrente do pensamento positivo nos Estados Unidos, que mostrou com absoluta clareza que nós estamos tratando de um processo que se manifesta no mundo. Estou falando isso pra vocês pra que a gente recue um pouquinho mais, saia do século XIX para ver que não foram somente eles que falaram! Falaram os grandes mestres cabalistas, falaram nisso todos os grandes mestres do sufismo, e aí sim, vamos partir daqui. Essa é uma boa base de trabalho. Pra que a gente entenda como esse processo está posto no livro “O segredo” e pode ser perfeitamente aproveitado por nós com apenas uma orelhinha em pé da nossa parte, da nossa consciência pra que a gente não perca o fio, o rumo. A gente vai descer até Krishna, não só o Gita, como o Mahabhárata, que é um conjunto de obras onde o Gita está incluído, nas histórias que são como todas as histórias das Escrituras alegóricas, no Mahabhárata fala disso o tempo inteiro; o Gita fala! Mas nós vamos falar de um tão mal interpretado, tão mal entendido, mas que nos mostra com toda clareza, e aí sim, esse sim, vai ao fundo, na superfície, traça a linha, joga a semente e deixa pra gente querer saber se essa semente vai germinar em nós, se vai crescer em nós mesmos como árvore da vida. Estamos falando de Jesus de Nazareth. Ora! Como eu quero aproveitar e como a gente vai juntar Jesus ao segredo, eu quero que vocês vejam que eu fui lá em Krishna, nós vamos falar de Jesus porque de todos esses grandes mestres que passaram pelo mundo, o mais injustiçado por nós, com certeza, é Jesus. Por que injustiçado? Mesmo quando nós não o enxergamos como Deus, mesmo quando nós com toda a sinceridade do coração e pureza de um devoto de qualquer das religiões que surgiram a partir da sua caminhada no mundo -católicos, protestantes, e até mesmo os espíritas -, a percepção de Jesus, da Sua Natureza, do seu trabalho, do seu processo é muito injusta. Jesus é injustiçado na medida em que deixamos de enxergar o que Ele veio realizar, fazer e deixar como semente. Não só deixando de enxergar, por isso mesmo deixamos de incorporar, e quando digo ‘deixamos’ estou generalizando, é claro que há exceções, e claro que deixando de incorporar estamos deixando de manifestar isso com plenitude em nossas vidas. É claro que Ele não foi o único que fez isso! É claro que como Ele disse: “Muitos farão aquilo que Eu faço e farão muito mais”. Então, fica muito claro de que o processo não é olhar alguém como algo exterior a nós, como único filho de Deus que veio ao mundo, materializado, num corpo de homem para sofrer, para pagar os pecados! Esses processos têm significação simbólica, mas não é a isso que nós estamos nos referindo! Eu vou tentar mostrar com toda a clareza possível a partir das minhas imperfeições em transmitir o que o trabalho desse ser fez e o que ele nos propõe até esse exato momento para que a gente transforme esse agora, que é a única coisa que efetivamente nós temos, mas com potencial infinito em matéria prima, da nossa redenção. A gente falou de manifestação, a gente falou de realizações de coisas, vamos passar um filme rapidamente sobre a vida pública, e é o que nós conhecemos, desse Ser. Que é também um parêntese que eu sempre abro aqui, que é uma pena que haja o divórcio tão grande deste que era um rabino judeu! Quando entramos pelos caminhos, que Ele efetivamente viveu na verdade Ele mais do que qualquer outro, talvez contemporâneo seu e da mesma raça, tenha vivido em tamanha plenitude o judaísmo na verdadeira acepção da palavra. Ora! Vamos lembrar que Ele começou a sua caminhada, realizando obras absolutamente incomuns, só comuns a dos grandes profetas, a dos grandes mensageiros que são os chamados milagres. E esses milagres têm tudo a ver com essa lei que a gente está falando aqui. Milagre é uma intervenção que aparentemente não tem parâmetros nos processos que a gente conhece como “reais”, ou seja, os únicos passíveis de ocorrer numa realidade. Quais são os processos? Ele não foi o primeiro a fazer e não foi o último, e não será, antes Dele muitos fizeram, desde os milagres da Índia, todos os iogues de alta linhagem fazem, Buda fez, como Eliseu, como Krishna. Então um ser que entra dentro deste patamar ou rompe, passa a perceber, primeiro que a realidade não é aquilo que nós vemos, sentimos, aquilo que nós tocamos, aquilo que chega pelos sentidos, nem tão pouco aquilo que a gente concebe com o intelecto. Vejam bem não é só o sentido, é o sentido mais o intelecto. E passa a realizar, e Ele foi um dos que fez, e passa a realizar curas, inúmeras. Ressurreição de pessoas, algumas e outras tantas coisas que começavam a demonstrar para as pessoas que não estavam ali um ser diferente. Vamos deixar de lado o que Ele fez e vamos começar com Seus ensinamentos, e aí sim, é o que nos interessa. Eu tenho um pedido! A gente nessa Casa, a única coisa que a gente tem que fazer e, a gente erra fazendo é a veneração deste Ser crucificado, pendurado numa cruz, transformado numa imagem de sofrimento. Esse talvez tenha sido o grande artifício dos seres inferiores, da contra-inteligência, pra que se inoculasse o antídoto, que durassem enquanto as criaturas dormissem, contra o potencial divino, infinito que está posto ali naquela vivência e naquilo que ela propõe pra gente. Vamos ver o que Ele falou! Todos os escritos, todos os Evangelhos reconhecidos, e os outros tantos que não são reconhecidos, mas aos quais temos acesso e o mais famoso que hoje é chamado de “Quinto Evangelho”, atribuído ao apóstolo Tomé, diz: “A criatura”, entendam criatura como todos os homens, mulheres, de todos os tempos, “é tão divina quanto Divindade porque ela foi feita à Sua imagem e semelhança”. Isso está explicitado em todas as suas passagens, mas se vocês forem ao Evangelho de João, vão ver, principalmente nos últimos momentos do Evangelho de João, em que todas as suas palavras são direcionadas para essa realidade, inclusive ele coloca isso sob um véu de uma letra muito dura e foi muito mal entendida à época e continua sendo mal entendida depois por aqueles que O seguiram. Ele primeiro proclama, sempre se referindo à Divindade como Pai, usando o conceito e a palavra Aba, em hebraico, pra aqueles que conhecem um pouco de misticismo, hebraico ou judeu, sabem que a Divindade é Una e será sempre Una! “Ouça Israel o Senhor Deus, é Teu Deus e o Teu Deus é Um” É una, mas ela se manifesta sem perder essa unidade numa infinita multiplicidade em vários aspectos. O aspecto Aba, Pai é um dos aspectos superiores em altíssimo grau desta unidade divina. Nós falamos aqui, em Deus Mãe, que quando buscar o aspecto Mãe, porque esse aspecto imperfeito como é, mergulhado nesse robotismo como estamos, nesse criar sem saber que estamos criando, nesse atrair sem saber que estamos atraindo, só aquilo que nós não queremos. O antídoto mais imediato é buscar refúgio na Mãe, a face divina materna de Deus. Mas referir-se ao Pai significa passar pela Mãe! No Evangelho de João ele se refere a sua Mãe, entregando ela a um seu discípulo, mostrando João, no caso, ele entrega um ao outro, dizendo: “Filho eis a tua mãe, mãe eis o teu filho”. Isso tem um significado profundo. Ele se refere a mãe, mas ele se refere ao Pai, dizendo: “Pai, faz com que eles entendam que Eu sou Um Contigo, e que eles são Um Comigo, portanto nós todos somos Um”. Primeiro: isso deixa claro que Ele jamais se situou em superioridade a ninguém. Ele sempre procurou identificar todos os seres que o acompanhavam nesse padrão de unidade, mas não numa unidade inferior, mas uma unidade superior e ao mesmo tempo muito profunda dentro de cada uma. Quando Ele proclamava isto, ele fazia quase sempre antes de realizar algum ato, desses atos aparentemente milagrosos, ou milagrosos! Mas que transgrediam o movimento normal da vida que a gente conhece. Sempre nos momentos mais dramáticos, Ele invocava essa unidade e há uma passagem que literalmente diz: “Aquele que entender essa unidade, aquele que realizar essa unidade, fará tudo o que eu faço e fará mais ainda”. Há uma, no entendimento que se espalhou e eu não encontro razões dentro dessa lei da atração, no sentido que nós somos postos como que robôs, então vamos para principalmente depois que as classes sacerdotais que tomaram posses desses ensinamentos, de que Ele teria sido pobre, indigente, como se Jesus fosse alguém que andasse pelo mundo pedindo esmolas. Ora! Quem lê os Evangelhos vai perceber exatamente o contrário! São inúmeras as passagens, e vocês vão ler coisas tais como: o apóstolo que tinha sido acusado de roubar a bolsa e, esse mesmo apóstolo cuidava do dinheiro para administrar e dar para os pobres. Era um costume comum do seu colégio de discípulos distribuir aos pobres e não tomar como mendigo. Relatos de Evangelhos, tidos como não oficiais, mostram com muita clareza que ele jamais foi um pobretão na sua vida normal do dia-a-dia, ao contrário. E se manter pobre permanece uma chancela para você conquistar o reino dos céus. Por séculos e séculos isso permaneceu na cabeça das pessoas no Ocidente, a sombra dos ensinamentos tidos como cristãos era algo como um privilégio para que você pudesse conquistar a vida futura, o reino dos céus. Vamos fechar essas aspas. Vamos para a vida Dele mesmo, Jesus. Agora vamos nos fixar num dos milagres: a multiplicação dos pães. A multiplicação dos pães relatada nos Evangelhos por duas vezes foi realizada outras tantas vezes, todo mundo já ouviu falar. Lembrando só que, a partir de unidades limitadas como cinco pães e dois peixes, depois o movimento inverso, Ele criou matéria do nada e distribuiu para cinco mil e depois a sete mil pessoas. Isso foi feito com o olhar dos discípulos vendo aquilo surgir e surgir. Vou repetir: não foi o primeiro a fazer isso não! Temos o profeta Elizeu fazendo isso, temos Buda fazendo isso. Ele dizia: isso não é privilégio de ninguém, não é porque eu sou Jesus de Nazareth. Não é porque eu faço isso que ninguém faz! Ao contrário! Hoje a gente tem acesso a Sai Baba e outras tantas pessoas. Mas quando Ele fez isso muitas vezes, há um momento crucial relatado nos Evangelhos, que após a multiplicação depois ele sai em pregação, e a pregação se dava sempre em volta do lago Tiberíades, e num determinado momento, Ele e os discípulos se encontraram com a provisão baixa de pães e alimentos. O Evangelho que relata isso consegue transmitir, com algum grau de precisão a decepção com que Ele ficou ao olhar seus discípulos brigando entre si porque não tinha pão! Saindo com várias soluções, comuns ao reino de limitação que a gente vive. Eles se encontraram, provavelmente doze, quinze pessoas, com um sortimento de pão que certamente não dava e começaram a acusar uns aos outros de que não havia cuidado de comprar o pão; não conseguiu provisão; mas agora a gente vai ficar com fome! E quando Jesus ouviu essa última frase Ele lamentou! Ele exclamou e disse: “Vocês viram tudo o que viram! E ainda continuam com este status mental e espiritual? Vocês não viram quantas pessoas foram alimentadas na primeira grande chamada multiplicação de pães e peixes e não entenderam!” Ora! Isso foi um desabafo. Esse processo a que Ele se referia é o mesmo processo em que todas essas abordagens se referem, inclusive a do filme “O segredo”. Essa lei do suprimento, essa lei de potencialidade infinita, esta lei de atração, porque ela funciona, está funcionando agora aqui! E nós estamos pondo em movimento, mas só que nós estamos colocando, vou repetir, de maneira inconsciente, porque a nossa consciência está acostumada a esperar o pior. Ela está acostumada a atrair o sofrimento em que a gente tem medo, porque o medo é um dos detalhes que reforça enormemente essa equação, no sentido de potencializar o processo, da mesma forma como a fé pelo outro lado potencializa positivamente. E a fé no seu grau máximo, ela é uma força ativa, e que no seu grau máximo ela chega a uma força infinita e nessa força infinita, ela atinge o que nós chamamos de certeza. Certeza em hebraico quer dizer, é uma palavra forte, é uma palavra mântrica, que é chamada yemuná, que é a palavra que Jesus utilizava. Vejam bem! Ela não se diferencia da fé a não ser no seu grau infinito de potência, e quando se atinge uma potência a realidade ocorre. Mesmo que a gente não esteja vendo com os olhos físicos, agora, a gente sabe que ela está ocorrendo! O futuro e o passado que hoje já temos, e podemos pensar isto como algo possível e não fantasioso, são coisas que ocorrem quase que simultaneamente quando a gente sai para dimensões superiores da vida. E o futuro quando a gente o vê linearmente, ele vai ocorrer de acordo com este agora que está aqui! É claro que o passado está ali me empurrando com tudo aquilo que eu deixei no tempo para trás, com as minhas inconsciências. Eu estou atraindo, na verdade eu estou vivendo agora o que eu atrai na linha do passado. Mas eu posso romper isso agora, sem necessariamente ficar com medo de que o passado me atropele, nem com medo daquilo que o futuro vai me trazer. Então, o medo do lado potencializa essa equação e nós estamos atraindo nesse exato momento, quase sempre trazidos em rédea e cabresto curto pelo medo, aquilo que nós não queremos. O que é mais triste nesse processo, é que nós estamos tão envolvidos nele, que acreditamos ser irreal tudo aquilo que foge da sua definição. Definir, a palavra já diz: dar fim, dar limites. Então, aquilo que foge desse limite, pra nós é real, é fantasioso, pra nós é: pode ser, pode não ser! Então, o medo cresce muito desse lado da equação e a fé quase que nada desse outro lado. Vejam que nós não estamos falando de uma fé religiosa, nós estamos falando de uma fé força, de um infinito que se transforma em certeza. Ele usou isso pra fazer o que fez e num dia fortuito em que ele passeava com seus discípulos, eles viram uma figueira que não tinha fruto, e Ele tentou comer, e ao não encontrar fruto Ele fez uma asserção e que até muita gente questiona: “Que ninguém coma mais fruto de ti”. E quando eles passaram a figueira estava seca e eles disseram: “Mestre, aquela figueira que ontem Tu amaldiçoastes, secou!” E Ele se vale desse movimento pra dizer: “Eu faço isso e todos aqueles que têm fé fazem o que quiser!” Tanto que a figura é forte, que nos distancia de chegar perto dela! Quem aqui acredita se eu disser para aquela montanha se jogar no mar e ela vai fazer isso? Falando sério! Nenhum de nós que está limitado acredita nisso! Mas esse processo não é um processo de acreditar, é um processo de realizar fé. E realizar fé, a gente vai fazendo aos pouquinhos. E em outro momento Ele compara: fé e grão de mostarda. Começa com uma fé pequena e vai até a certeza. E as certezas vão se fazendo em patamares. Podemos começar querendo ter certeza de que a minha vida mudará e é aí onde o filme fala com precisão, naquilo que eu dirijo e aí sim já não mais uma atração com medo, já não mais uma atração com dúvida, mas uma atração com certeza. Esse patamar, e qualquer um pode atingi-lo no momento que quiser, e que passar a aplicar esse processo na vida! Ora! Ao dizer isso, e Ele ao dizer que aquele que tiver yemuná, certeza, transforma esse monte que voa em direção ao mar, é obedecido porque passa a comandar e não é mais comandado. Ele vai deixando claro, que esse estado de natureza divina é na verdade a verdadeira natureza de cada ser. E aí acontece o último movimento de sua vida, que é aquele que é aproveitado pela contra-inteligência, enfim, há o momento em que esse processo inteiro converge para um drama que aparentemente traz derrota, dor, sofrimento. E quando Ele, após três dias, apresenta como uma forma clara de vitória, sobre aquilo que nós todos mais tememos, projetamos nele a figura única de Jesus de Nazareth, capaz de vencer a morte. Mas a sua vitória sobre a morte, também reflitamos, não foi a primeira, e se vocês quiserem olhar todos os grandes avatares, eles mostraram com toda a clareza de que a morte física nada mais é do que um processo ilusório, tão ilusório quanto a física. E se a gente olha na sua própria linhagem de procedência, o profeta Elias que nós todos conhecemos foi tomado com um corpo físico e não experimentou a morte, e continuou aparecendo a todos os outros seguidores vinculados a ele. Então, quando Jesus se deixa levar ao sofrimento físico e reaparece depois, este último ensinamento mostra o seguinte: seja dessa forma como Ele passou, dramática numa cruz, tão dramática fixou a nossa culpa, o nosso medo, o nosso desespero, porque a cruz para nós é o desespero! Mesmo que a gente fantasie que ela é a esperança da vida eterna, para nós quando a gente olha aquele processo, aquele processo é doloroso, é triste. Ele mostrou que mesmo que a morte seja assim, e nós todos vamos passar por ela de alguma forma, porque todos nós já passamos, ela jamais será o ponto final da existência, e esse triunfo pós-morte, porque Ele e todos eles que atingem o status de manifestar, plenamente a divindade, em si aparecem triunfantes, sem que a morte os toque, ele quer deixar pra nós o último ensinamento de que o processo de vida, a vida em si é muito mais ampla do que a vida física. E que nós temos que estar enraizados nesse entendimento e nessa consciência para que todas as outras, nesse estado em que ele chamou “procurai primeiro o espírito para que o resto vos venha de acréscimo”, mais do que buscar a espiritualidade como norma de vida, Ele quis mostrar a ordem das coisas. Porque um dos grandes desequilíbrios da raça humana é subverter a ordem das coisas, e a ordem de manifestação dos processos. Ora estamos desbalanceados por um lado, ora estamos desbalanceados para outro. Quando Ele diz: “procure o espírito em primeiro lugar e o resto vem de acréscimo”, Ele está querendo dizer a mesma coisa também, em Evangelhos conhecidos: “olha os lírios dos campos e os pássaros do céu” vocês acham que eles têm preocupação com o futuro, com o que vão vestir, com o que vão comer? Porque eles sabem, eles têm certeza de que são alimentados pela força divina que vem do Pai. Ele disse e provou! Tanto que Ele disse aos apóstolos: vocês já ouviram e assim continuam! Ao dizer que o espírito prevalece, Ele diz que o processo é muito claro, mas só que ele tem que obedecer a uma ordem, a uma ordem, se a gente não vai lá naquela fonte primeira e a partir dela conquista tudo, você de alguma forma desbalanceia isto. E aí é que é importante e aí sim é que a gente vai fechar com “O segredo”. Precisamos ter cuidado quando a gente descobre uma novidade e volta a ter contato com essa lei da atração que na verdade remonta ao século XIX. Mas como a gente volta a ter contato da forma que nos está sendo apresentado, não tenho nada contra, acho que, pelo contrário, todos devem ler e ver. O único cuidado que se deve ter é com esse desequilíbrio, pois quando eu uso esta lei de atração em patamares parciais, e que não são a fonte de onde eu tenho que me dirigir, que é o espírito, eu corro o risco de, mesmo que essa lei funcione num nível que aparentemente solucione os meus problemas, estar me enganando! O que estamos querendo dizer com isto é que imagina que a gente leia o livro e veja o filme, saindo convictos de que esse processo é verdadeiro e passando a aplicá-lo! Eu vigio os meus pensamentos, começo a tirar o medo de campo e colocar a certeza, começo a projetar aquilo que eu quero, e começo a atrair para a minha vida as aquilo que eu imagino ser a única solução para os meus problemas. Começa a chegar a casa de um milhão de dólares, começa a chegar o carro, começa a chegar a cura física de uma doença e começa a chegar muitas coisas. Eu agi, eu usei a lei e ela responderá matematicamente ao processo que eu disparei. Deixei de ser inconsciente, deixei o medo, passei a usar a consciência, a ação, mas estou fazendo em patamares parciais. Estou correndo riscos. Na hora que isso chega na minha vida sob a forma de conforto, de visão material, eu perco a percepção de que a vida não é só isso. Quantas vezes nós vimos essa história se repetir? Abundância material quando não há raiz no espírito provoca um relaxamento dos sentidos, das percepções de mundo e mesmo que a gente seja muito bem intencionado, mesmo que a gente ache que o universo é amor, mas essa forma romântica de abordar os processos muitas vezes pode nos deixar anestesiado quanto ao verdadeiro sentido da vida. E qual é o verdadeiro sentido da vida? É romper essas relações limitadas e chegar lá na semente, no espírito onde as coisas se encontram e de onde elas vêm. Se eu faço parcialmente, eu estou me enganando, seja sofrendo desnecessariamente, o que não tenha que sofrer. Sofrimento não dá camisa pra ninguém! Não é porque alguém sofre que vai ter o seu prêmio no mundo vindouro, essa também é uma visão imperfeita, parcial. Mas o fato é, o mesmo padrão que faz com que a gente acredite que sofrer possa nos trazer algum benefício ou nos deixar envolver por isso, é o padrão de que se eu parcialmente me deixar levar pela a lei bem usada para atrair pra mim aquilo que é bom, que é confortável, que é a “felicidade material” sem a raiz estar no espírito, em algum momento esse processo vai se mostrar pra nós com todo o seu desequilíbrio. Porque vai vir o momento em que a gente percebe que a vida não se resume aos anos de vida física, que não era bem assim. E a idéia que a gente propõe para que vocês pensem, meditem e mergulhem e aí vou me valer da Cabala, dos ensinamentos do Yogananda, Buda, Krishna, vocês vão ver que eles todos dizem: “Aquele que se enraíza no espírito, ele tem acesso a todas as forças dos reinos”. Então, quem está no espírito, tudo vem de acréscimo. Mas eu tenho uma vantagem sobre os outros! Consciente no espírito ele ganhou outros graus de consciência que vão permitir que ele até fisicamente se valha da abundância que a vida tem, a lei da vida é a lei da abundância e não a lei da carência, mas ao se valer disso ele está se valendo desse processo numa forma equilibrada. Quem está enraizado no espírito sabe que o que importa é o espírito. Quer ver um exemplo? Quem está enraizado no espírito sabe que ele não é dono de nada e que o milhão de dólares e o carro não pertencem a ele. No momento em que ele sair desse mundo, tudo acabou. Quem está enraizado no espírito movimenta-se numa força que é a lei do amor, da compaixão, então ele usa essa lei da abundância não só para ter a sua casa de um milhão de dólares, mas para fazer circular essa energia através de doar, de compartilhar, aquilo que ele sabe que não é dele. Ele é o administrador. Vejam a parábola dos talentos. Quem está enraizado no espírito, está enraizado para chegar a essa yemuná, numa lei sublime que é a lei do perdão. Mas pra atingir o ponto crucial do espírito, é preciso passar pelo perdão. Eu não amo de verdade a nada e a ninguém, se eu não tenho o perdão incondicional dentro de mim. Eu posso amar parcialmente! Não será o amor na sua verdade íntegra e plena. Enquanto não for assim, será um amor parcial, seja qual for, mesmo os amores mais sublimes, mesmo os amores mais próximos da doação completa, se não for incondicional, ele é parcial. Então, o movimento do espírito passa por isto. Essa parábola é muito desafiadora e passa por isso: “Quem recebe tem que dar”. O que é enterrar algo limitado na terra? Quando a gente acha que a vida é só matéria. Enterrar na terra significa enterrar as nossas expectativas, os nossos medos, as nossas esperanças, o que seja, dentro dessa terra que são as forças que a gente acredita serem as reais. A gente acredita no poder do que é material, mas não acredita no poder divino. E termina da seguinte forma: “Ao que tem se lhe dará, ao que não tem até o que ele pensa que ele tem lhe será tirado”. Não é esse deus de barba, é esta lei! Essa lei que a gente chama de atração, que a gente tem que tomar cuidado, porque se a gente olhar parcialmente, ela vai agir parcialmente conosco. Temos que estar fixado no espírito e aí todo o mais virá de acréscimo. Esse é o grande desafio da sociedade nesse milênio! É entender a lei da abundância, mas não limitá-la somente aos benefícios materiais, porque ela muito facilmente traz e ao muito facilmente trazer, não é difícil, não! Se vocês fizerem direitinho o dever de casa vão ver que vai começar a chegar as coisas que vocês querem, materialmente falando. Mas vamos tomar cuidado para que isso não seja mais um grau de ilusão. |
