Ramakrishna

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Râmakrishna é considerado um dos grandes santos hindus.

Teve seu primeiro êxtase aos seis anos e, já adulto, começou a prestar serviços no templo. Sentia uma necessidade incontrolável de alcançar o absoluto. Suas visões ganhavam intensidade. Numa exaltação desmedida, rezava, chorava, gritava, cantava, a fim de alcançar o absoluto. Posteriormente, ele encontraria seu primeiro guru, uma monja de nome Bhairavi Brahmani, praticante de ritos vaishnavas e tântricos. Râmakrishna contou-lhe suas visões e sua ansiedade, achando que estava enlouquecendo. Râmakrishna exercitou-se com sua mestra durante três anos. Após Bhairavi Brahmani ter ensinado tudo que sabia ao jovem discípulo, chegou a hora de Râmakrishna seguir caminho. Foi então que encontrou-se com Totapuri, um sannyasin (pessoa que renúnciou ao mundo) que havia realizado o Absoluto. Totapuri ensinou a Râmakrishna os conceitos do Advaíta (não-dualidade), a forma mais elevada do Vedanta (doutrina metafísica). Após a iniciação e o abandono simbólico de toda afeição terrena, após ter vestido a túnica vermelha de sannyasin, emblema da vida nova, Râmakrishna iniciou seu treinamento para mergulhar no seio de Atman (o Absoluto, totalmente incondicionado).

Tomado de desespero, disse a Totapuri: “É impossível! Não consigo elevar o espírito ao estado incondicionado, para encontrar-me face a face com Atman …” O mestre respondeu severamente: “Como, não pode? É preciso!”. Olhando em volta, avistou um pequeno vidro, segurou-o na mão e disse: “Concentre a mente sobre este ponto!” “Concentrei-me com todas as minhas forças e parti o pedaço de vidro em dois pedaços como se fosse uma espada.

Não havia então mais nenhum obstáculo diante da minha mente, que voou imediatamente para além do plano das coisas condicionadas. E me perdi no êxtase.” Râmakrishna havia realizado o nirvikalpa samâdhi (a suprema realização). Totapuri ao ver tal estado declarou cheio de admiração: “Adquiriste em três dias o que eu só consegui depois de quarenta anos de constante luta”. Totapuri, que nunca permanecia mais do que alguns dias em um lugar, permaneceu junto de Râmakrishna por onze meses.

No fim de 1866, Râmakrishna encontra um muçulmano de nome Govinda Rai. Percebendo que Govinda era iluminado pela presença de Deus, resolve pedir-lhe a iniciação. Govinda concorda e Râmakrishna passa a seguir todos os ritos e costumes do islamismo – abandonando por completo os rituais e deveres hindus – a fim de integrar-se perfeitamente nesta tradição. Ao fim de três dias, tem a visão de Maomé e realiza o Absoluto. Râmakrishna, ao seguir o islamismo, abandonou o hinduísmo, pois tinha consciência que não se deve misturar as religiões. Ao realizar o Absoluto pelo caminho islâmico, ele se deu conta da validade de outras religiões, mas nunca mencionou que se deveria misturá-las. E Râmakrishna só adotou o islamismo depois de ter realizado o Absoluto pelo caminho hindu, voltando ao mesmo posteriormente. Em 15 de agosto de 1886, Râmakrishna morre após um longo período em que permaneceu doente.